Reabilitação foi a forma encontrada para desenvolver funções dos filhos.
Pernambuco confirmou 89 dos 141 casos de microcefalia notificados em 2015.
Thays EstarqueDo G1 PE
Aos dois anos, Gabrielle luta para melhorar a cada dia como tantas outras crianças diagnosticadas com microcefalia. A reabilitação é feita em casa, num cantinho feito pelos pais na sala, e sob a orientações de profissionais. Movimentos simples de fisioterapia e estímulos cognitivos ajudam a pequena a desenvolver algumas funções. Em meio ao estado de alerta emitido pelo Ministério da Saúde, crianças e famílias se apegam nos acompanhamentos para minimizar as complicações oriundas da má formação cefálica.
Os pais de Gabrielle, a administradora Dayanne Queiroz, 29 anos e o tenente-coronel da Polícia Miliar Israel Moura, 45, fazem o que podem para melhorar a qualidade de vida da filha. Consultas particulares, que chegam a R$ 500, uma cama de casal montada no meio da sala e uma tabela pregada na parede com o cronograma de alimentação fazem parte da rotina do casal desde o nascimento da bebê. "Até o apartamento foi pensado nela. Mesmo estando próximo de uma comunidade considerada perigosa, ele é ótimo porque fica no térreo, a locomoção fica mais fácil", conta Israel.
Diagnostica também com síndrome de Dandy-Walker - outra má formação congênita que afeta o cerebelo e os fluidos que o rodeiam - Gabrielle tem comprometimentos na coordenação motora e no equilíbrio. "No mesmo dia do parto, durante a noite, foi solicitada a presença da neuropediatra para avaliar as condições, porque a expectativa de vida que deram para Gabrielle foi de apenas 24 horas. A médica fez alguns exames clínicos rápidos e a medição do crânio. Foi quando atestou e anexou ao prontuário o diagnóstico fechado de microcefalia", alega a mãe.
Na ocasião, sem apoio de nenhuma instituição e desorientados, Dayanne e Israel resolveram pesquisar e procurar terapias que ajudassem a filha a enfrentar a complicação. As consultas com profissionais como a neurologista e fonoaudióloga são particulares. A fisioterapia, que é paga pelo plano, trabalha com Gabrielle muito pouco tempo por sessão, informam os pais. Por isso, resolveram montar uma espécie de micro reabilitação dentro de casa. São bolas de pilates, tapete de ioga e massageador. Tudo para aliviar e estimular a pequena. "A fisioterapeuta disse que isso agilizaria o processo. Então, estamos sempre mexendo com ela [Gabrielle]. Quando não sou eu é meu marido", conta Dayanne.
O casal tenta desenvolver não apenas a parte motora, mas também a intelectual. Músicas, sons e brincadeiras que estimulem a parte cognitiva de Gabrielle. "Cantamos para ela, fazemos perguntas, pedimos para ela procurar algo. Tudo isso para ajudar. Ela é o meu amor que eu carrego nos braços e por isso não vamos parar de tentar melhorar", garante a mãe.

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